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QUADRIL - PRÓTESE DE QUADRIL

O quadril é a articulação do nosso corpo que liga a perna ao tronco. Temos 2 quadris. O contato entre o fêmur, que é o osso da coxa, e a pelve, que é a bacia, constitui uma “junta”, ou seja, uma articulação, a qual chamamos de quadril. O fêmur é o osso mais longo do nosso corpo.

 

O fêmur tem uma extremidade, a qual chamamos de cabeça do fêmur. Ela é esférica, tem pelo menos 5 cm de diâmetro, assemelha-se a uma pequena “bola” e se encaixa em uma cavidade na bacia, chamada de acetábulo. O acetábulo tem o formato de uma “concha”. O quadril é uma articulação muito estável devido a sua anatomia de “encaixe” e, também, pela presença de muitos ligamentos e de muita musculatura ao seu redor. Essa estabilidade é fundamental para conseguirmos ficar de pé e caminhar.

 

O quadril é uma articulação que sustenta todo o nosso peso e também tem uma amplitude de movimento muito ampla. A carga suportada pelo quadril é maior do que imaginamos.

 

Quando corremos, essa articulação sustenta o equivalente à 8 vezes o nosso peso. Em saltos, como no salto triplo, prova do atletismo, chega a sustentar até 15 vezes o nosso peso.

 

No transcorrer da evolução, houve uma diferenciação anatômica significativa no quadril do homem em relação à outra espécies, o que permitiu sermos bípedes.

 

Vale a pena lembrar que no quadril, como nas outras articulações, não há contato de osso com osso, mas sim o contato da cartilagem de um osso com a cartilagem do outro osso. A cartilagem é um tecido de revestimento que recobre a superfície óssea nas articulações, deixando essa superfície lisa, dura e de pequeno coeficiente de atrito, e permitindo um melhor contato. Geralmente é uma camada de poucos milímetros de espessura.

 

Sempre há pequenas diferenças entre a anatomia masculina e a feminina. No quadril, a principal diferença é o tamanho médio, sendo maior no homem do que na mulher. Por outro lado, a bacia apresenta uma grande diferenciação entre os sexos. Essas características ficam evidentes quando comparamos a “silhueta” masculina e feminina, mas a razão de tais diferenças se deve à gestação a ao parto. A bacia do homem é mais estreita e “fechada”, enquanto a da mulher é mais larga e “aberta”, o que possibilita a passagem de um bebê após uma gestação.

 

Lesões no Quadril

 

As lesões mais comuns dessa região são os estiramentos musculares, contusões e tendinites. São comuns nos atletas, mas podem acometer a todos. Quando realizado o tratamento adequado, o retorno ao dia-a-dia e ao esporte é rápido.

 

Há um outro grupo de lesões que são as lesões intrínsecas da articulação, ou seja, lesões que ocorrem dentro da articulação. Temos como exemplo as lesões do labrum, da cartilagem, do ligamento redondo e o impacto femoroacetabular. Elas podem ocorrer devido a uma associação entre uma condição de predisposição individual a determinada lesão, com a prática da uma atividade ou esporte que favoreça a sua incidência. Ocorrem em jovens e em atletas. Uma vez presentes, essas lesões provocam dor e limitação funcional nos atletas, comprometendo os seus treinos, rendimento e resultados. São passíveis de tratamento, cujo o objetivo é eliminar a dor, restabelecer a função e proporcional um retorno pleno ao esporte. Isto é válido tanto para o esporte recreativo como para o de alto rendimento e competitivo.

 

O não tratamento dessas lesões do quadril podem resultar na progressão para um processo degenerativo da articulação, ou seja, para a artrose. É um processo lento, porém constante, o qual vai “consumindo” a articulação, gastando-a, e desta forma, levando a um quadro de dor, restrição de amplitude de movimento e de limitação importante.

 

Aqui temos um outro grupo de lesões do quadril, que são as lesões degenerativas, cujo tratamento em sua fase mais avançada é a artroplastia. Artroplastia é a substituição da articulação por uma prótese, ou seja, retirasse toda a superfície gasta e degenerada, substituindo-a por uma outra sintética.

 

A presença de dor é um sinal de alerta. É assim que o nosso corpo se manifesta se algo não está bem no nosso organismo.

 

Temos que respeitar isso e sempre procura o auxílio do médico, para este poder diagnosticar o motivo da dor e contribuir para resolver o mais rápido e da melhor forma possível.

 

O primeiro passo é fazer o diagnóstico. As causas de dor são inúmeras, podendo significar desde um problema simples até os mais complexos. E é claro, o quanto antes tivermos o diagnóstico, o mais rápido vai ser abordado com as condutas específicas para aquele determinado problema.

 

Todos podem desenvolver lesões no quadril, independentemente se for sedentário, esportista recreacional ou atleta profissional. O que contribui para aumentar a incidência de lesões é a maior ou menor exigência e solicitação do quadril. Há algumas posições, atividades ou modalidades esportivas que solicitam mais, em termos de amplitude, carga ou em número de repetições.

 

A cartilagem hialina é o revestimento do osso nas articulações do nosso corpo, ou seja, é uma camada de espessura de mais ou menos 3 mm (depende da região) que recobre o osso, caracterizando uma superfície bem lisa, homogenia e branca. Sendo assim, no quadril e nas outras articulações do corpo, não há contato osso com osso, mas sim, há com contato da cartilagem hialina de um osso com a cartilagem hialina do outro osso. Durante a nossa vida há um desgaste fisiológico dessa camada de cartilagem, um pequeno consumo normal. No idoso, essa camada é um pouco mais estreita, mais fina, no entanto, apenas um pouco. Quando encontramos um consumo mais acentuado dessa cartilagem no jovem, sabemos que algo não está indo bem e, portanto, temos a obrigação de investigar e de entender o que está acontecendo. Lesão ou consumo acelerado de cartilagem tem o significado de artrose, desgaste ou degeneração, o que não é bom. Quando há uma grande lesão ou um grande desgaste, a pessoa tem muita dor e dificuldade com o quadril, sendo necessário fazer a cirurgia de artroplastia. A artroplastia é a substituição da articulação por uma prótese (material sintético).

 

O labrum acetabular é uma estrutura constituída por uma cartilagem mais elástica e tem o formato de uma ferradura. Tem muitas funções no quadril como fazer a distribuição homogenia de carga pela articulação, proporcionar estabilidade, propriocepção e regular a pressão intra-articular. Uma vez lesado, a pessoa passa a ter dor e tem a função do quadril comprometida. Apenas para fazer uma analogia, o joelho tem menisco e o quadril tem labrum.

 

Tanto a lesão da cartilagem hialina e do labrum acetabular são lesões pré-artrósicas,. Uma vez presentes, elas facilitam a progressão para a artrose, ou seja, para desgaste ou degeneração.

 

Artrose é o desgaste da articulação, que corresponde a um quadro de dor importante, restrição de amplitude de movimento e de limitação funcional.

 

É bom lembrar que não são todas as pessoas que, por ventura, apresentem uma biomecânica ruim do quadril é que vão apresentar lesões no quadril. O fator extrínseco tem uma grande contribuição, na medida que existem posições, atividades, movimentos ou esportes que exigem mais do quadril. É uma associação entre uma biomecânica ruim do quadril com uma rotina de vida ou com algum esporte que solicite mais desta articulação. Isso é o que chamamos de impacto femoroacetabular.

 

Podemos encontrar o impacto femoroacetabular em qualquer pessoa, mas, geralmente, se manifesta com mais intensidade nos atletas, devido a maior solicitação do quadril.

 

Fratura do Quadril

 

Dependendo da intensidade do trauma, do entorse ou da queda, há a possibilidade de ocorrência de fratura. Nessa situação, a pessoa vai ter muita dificuldade em ficar de pé ou de tentar caminhar. É uma situação que sempre necessita de ajuda e de auxílio para ser encaminhado para um serviço médico.

 

Há a situação, que não é rara, de um senhor ou uma senhora de idade que ao fazer um simples movimento com a perna, ocorre a fratura do quadril, seguido de queda. Nessa situação, devido a uma fragilidade importante do osso, por exemplo, osteoporose, primeiro há a fratura e depois a queda ao chão.

 

Recomendamos posicionar a perna de uma forma mais confortável e alinhada, não tentar ficar de pé, e ter o auxílio para ser encaminhado para um serviço médico, para receber a atenção e os cuidados necessários.

 

Tratamentos

 

Há muitos recursos de tratamento para o quadril. Medicações diversas, infiltrações, fisioterapia, termoterapia, manipulações, imobilizações, reabilitações, reeducação postural, pilates, orientações, artroscopia (cirurgia minimamente invasiva), cirurgias tradicionais, etc.

 

A indicação da terapia vai depender da correta identificação do problema e do diagnóstico. Sempre há a preocupação de sempre sermos menos invasivos nos tratamentos, recorrendo a medidas com menos riscos, complicações e efeitos colaterais.

 

Há lesões ou afecções no quadril que são de tratamento conservador, ou seja, não cirúrgico, e outras que são de tratamento cirúrgico. Essa decisão sempre leva em conta o custo (riscos) e o benefício de cada opção e os melhores resultados possíveis.

 

Quando se fala em tratamento cirúrgico, sempre se procura a opção menos agressiva, menos invasiva, com menos riscos e com resultados melhores.

 

Nesse contexto, a artroscopia do quadril tem uma função muito importante. É uma técnica cirúrgica minimamente invasiva, com a qual podemos tratar de vários problemas e lesões do quadril e das estruturas ao seu redor. É uma opção de tratamento eficiente com uma pequena agressão. Isso se traduz em uma internação mais rápida, geralmente com alta no mesmo dia, menores taxas de complicações e riscos, menos dor, reabilitação mais rápida e melhor, retorno precoce à rotina e ao esporte.

 

Com essa técnica cirúrgica podemos tratar de diversos problemas e lesões do quadril e das estruturas ao seu arredor, como o tratamento para o impacto femoroacetabular, lesão do labrum acetabular, lesão da cartilagem , ligamento redondo, sinovite, condromatose, ressecção de tumores, fraturas, instabilidade articular, lesões tendíneas, bursites, ressaltos, síndrome do piriforme, do iliopsoas, transplante de labrum, infecção, extração de corpo livre, de calcificações, para diagnóstico, etc.

 

O objetivo é eliminar a dor e dar um futuro melhor para o quadril, diminuindo a chance de progredir para uma artrose.

 

Artrose do Quadril

 

Artrose é o desgaste da articulação, que corresponde a um quadro de dor importante, restrição de amplitude de movimento e de limitação funcional.

 

As causas são muitas, entre elas, impacto femoroacetabular, doenças reumatologias, metabólicas, sequelas de traumas e fraturas.

 

Sempre há o cuidado de proporcionar uma boa qualidade de vida para os pacientes.

 

Os objetivos do tratamento são tirar a dor, restaurar a função em sua plenitude, permitir que o paciente volte a fazer todas as atividades que queira e que goste, e dar um prognóstico melhor para a articulação, ou seja, evitar que o quadril progrida para uma degeneração, ou seja, para uma artrose.

 

Quando já há uma degeneração presente, uma artrose, existem diversos recursos disponíveis para o tratamento. As opções de tratamento vão variar dependendo do grau de artrose, ou seja, se for uma artrose de grau leve há medidas terapêuticas específicas para essa situação. Caso for uma artrose de grau avançado, serão outras medidas terapêuticas indicadas.

 

Vale a pena lembrar que artrose é desgaste, ou seja, a realização do tratamento não restaura as condições natas da articulação. O tratamento vai proporcionar um alívio na dor e uma melhora da função, além de retardar a progressão da artrose. É uma condição de “administrar” a situação, proporcionando uma qualidade de vida melhor. A artrose é progressiva e a tendência é haver um piora gradual.

 

Em um estágio avançado da artrose, há um comprometimento, um desgaste, generalizado da articulação, o que gera muita dor e limitação para a pessoa. A pessoa tem o seu dia-a-dia prejudicado pois se sente com restrições e limitações funcionais.

 

Nessa situação, geralmente há a indicação de se fazer uma cirurgia chamada artroplastia do quadril, ou seja, a prótese de quadril.

 

Artroplastia ou prótese de quadril

 

A artroplastia, ou prótese de quadril consiste em uma cirurgia, na qual toda a superfície articular é retirada, ressecada, e é substituída por uma superfície sintética, que é a prótese. É como se fosse a substituição da articulação. Após a cirurgia e a sua reabilitação, o paciente passa a não mais apresentar dor e tem a função do quadril restaurada. Com isso, o paciente retoma a sua rotina de vida.

 

É uma cirurgia consolidada há décadas, muito realizada em todo o mundo e que traz muita satisfação para o paciente. Em toda a medicina, a artroplastia do quadril é a segunda cirurgia que mais traz satisfação aos pacientes. A primeira, é a cirurgia oftalmológica de tratamento da catara.

 

A prótese de quadril é uma cirurgia de grande porte. Há a necessidade de se ter muito critério para a sua indicação. Um outro ponto a ser considerado, é que a prótese tem uma vida útil e novas cirurgias poderão ser necessárias para a substituição da prótese.

 

Uma outra situação onde há a indicação da prótese é quando há a fratura do colo do fêmur, ou seja, da extremidade proximal do fêmur. É uma fratura que pode ser tratada com a fixação com síntese cirúrgica ou com a realização da prótese. A escolha do tratamento vai depender de muitas variáveis que serão avaliadas e consideradas pelo ortopedista.

 

A prótese de quadril apresenta vários modelos. Cada modelo de prótese tem suas características próprias, que vão ser importantes para a escolha da prótese ideal para cada paciente.

 

As podem ser feitas de vários materiais como aço, titânio, cromo-cobalto, cerâmica, polietileno, etc.

 

Há muita pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias nesse campo. Houve grande progresso nos últimos anos e a tendência é continuar com essa evolução.

 

Dr. Marcelo G. Cavalheiro
mÉdico ortopedista


Formado em Medicina pela Universidade de São Paulo, Marcelo G. Cavalheiro fez residência...



MARCELO@DRCAVALHEIRO.COM.BR

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